Raio não é o único vilão: Entenda os surtos elétricos e como proteger sua instalação
Descargas atmosféricas, manobras na rede e outros fenômenos podem provocar sobretensões transitórias. Entenda o papel dos DPS e por que a proteção precisa ser coordenada dentro de uma estratégia de Medidas de Proteção contra Surtos (MPS).
Surto elétrico não é sinônimo de raio
Quando um equipamento eletrônico deixa de funcionar depois de uma tempestade, é natural relacionar o problema a uma descarga atmosférica. De fato, descargas diretas ou próximas podem produzir correntes e sobretensões capazes de alcançar instalações elétricas e sistemas eletrônicos. Mas os surtos não têm uma única origem.
Manobras na rede elétrica, chaveamentos e a operação de determinadas cargas também podem gerar fenômenos transitórios. Por isso, uma instalação pode estar sujeita a surtos mesmo sem atividade atmosférica.
Um surto é uma sobretensão ou sobrecorrente transitória, de curta duração, que pode atingir níveis suficientes para causar falhas imediatas, degradação de componentes ou redução da vida útil de equipamentos. Em instalações com automação, comunicação, informática, eletrônica de potência ou cargas críticas, a análise desse risco é particularmente importante.
DPS tem uma função específica
Os Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) são componentes destinados a limitar sobretensões transitórias e desviar correntes de surto, dentro das condições para as quais foram especificados.
Sua função não deve ser confundida com a de disjuntores ou fusíveis. Disjuntores e fusíveis estão associados à proteção contra sobrecorrentes, conforme suas características e aplicação. O DPS atua diante de surtos de tensão ou corrente.
Também não é tecnicamente adequado tratar o DPS como uma solução isolada para todos os efeitos associados às descargas atmosféricas. A proteção deve ser analisada como sistema.
SPDA, MPS e DPS: funções que precisam ser coordenadas
A série ABNT NBR 5419 trata da proteção contra descargas atmosféricas. Dentro dessa abordagem, a proteção dos sistemas elétricos e eletrônicos internos à estrutura envolve Medidas de Proteção contra Surtos (MPS), que não se resumem à instalação de DPS.
Conceitos como Zonas de Proteção contra Raios (ZPR), equipotencialização, blindagem, roteamento adequado das linhas e proteção dos circuitos de energia e de sinal fazem parte da análise.
Como destaca o Eng. Sergio Roberto Silva dos Santos em seus conteúdos técnicos, um DPS não trabalha sozinho. Sua especificação e seu posicionamento devem ser coerentes com a ZPR e com as demais MPS previstas para a instalação. Isso contextualiza o DPS dentro da engenharia de proteção, em vez de tratá-lo como um acessório independente.
Tipos de DPS e posicionamento
Os DPS são classificados em tipos (I, II ou III) de acordo com características de ensaio e aplicação. Para o projetista, não basta escolher um “DPS mais forte”. É necessário compreender em que ponto da instalação o dispositivo será aplicado, qual fenômeno deverá suportar e qual nível de proteção deverá proporcionar.
DPS tipo I são associados a pontos sujeitos a correntes impulsivas, com ensaios que consideram a forma de onda 10/350 µs. DPS tipo II são ensaiados para correntes de surto com forma de onda 8/20 µs e são amplamente empregados na coordenação da proteção em quadros de distribuição. DPS tipo III são destinados à proteção próxima aos equipamentos, complementando as etapas anteriores.
A coordenação entre os dispositivos e seu correto posicionamento é fundamental. A simples presença de um DPS não garante, por si só, que a estratégia de proteção esteja correta.
E onde entra o DPS Classe III próximo à carga?
Mesmo após as etapas de proteção instaladas a montante, é necessário considerar o nível de tensão que pode alcançar equipamentos sensíveis. É nesse contexto que dispositivos destinados à proteção próxima à carga exercem sua função complementar.
A linha Anti-Raio da Embrastec integra essa aplicação de proteção próxima aos equipamentos conectados à rede. A versão Anti-Raio 20 A amplia as possibilidades de utilização da linha para equipamentos conectados a tomadas e circuitos compatíveis com essa corrente, sempre respeitando as características técnicas do produto e da instalação.
Um DPS próximo à carga não substitui a análise da instalação, nem os dispositivos necessários nos demais pontos do sistema. Seu papel é complementar uma proteção coordenada.
10 A ou 20 A: o que muda na aplicação?
No Anti-Raio, a indicação de 10 A ou 20 A está relacionada à corrente admissível na aplicação do equipamento e não deve ser confundida com In, a corrente nominal de descarga utilizada como parâmetro técnico de DPS.
Na especificação de um DPS, parâmetros como Iimp, In, Imax, Uc e Up possuem significados próprios e devem ser analisados de acordo com o tipo de dispositivo, sua folha de dados, as instruções do fabricante e a aplicação.
A escolha entre versões de 10 A e 20 A deve considerar a carga, a tomada, os condutores, a proteção do circuito, a tensão da instalação e as orientações técnicas do fabricante. Um valor maior de corrente de utilização não significa, por si só, maior capacidade de proteção contra surtos.
Aterramento e equipotencialização: evite simplificações
É comum resumir a atuação do DPS dizendo que ele “manda o surto para a terra”. Essa explicação é insuficiente para um projeto técnico.
O desempenho da proteção depende da forma como o DPS é conectado e coordenado com a instalação, do esquema de aterramento, das ligações equipotenciais, do comprimento e disposição dos condutores e das demais MPS aplicáveis.
Por isso, instalar um DPS não corrige deficiências de projeto, conexões inadequadas ou problemas do sistema elétrico. A proteção eficaz exige que o dispositivo faça parte de uma solução corretamente especificada.
Energia e sinal precisam entrar na análise
Outro ponto frequentemente negligenciado é a proteção das linhas de sinal. Sistemas de comunicação, automação, dados e controle podem constituir caminhos para surtos e precisam ser considerados quando aplicável.
A ABNT NBR 5419-4:2026 aborda os sistemas elétricos e eletrônicos internos à estrutura, e a estratégia de MPS deve considerar os diferentes caminhos pelos quais os efeitos de uma descarga podem atingir esses sistemas. A Embrastec possui soluções para linhas de energia e de sinal, e a seleção deve ser feita de acordo com cada aplicação.
O que avaliar antes de especificar a proteção?
Não existe uma única configuração adequada para todas as instalações. Residências, escritórios, indústrias, sistemas fotovoltaicos, instalações de telecomunicações e ambientes com automação apresentam condições distintas.
O projeto deve considerar, entre outros aspectos, a análise de risco aplicável, as ZPR, as características da alimentação, o esquema de aterramento, as linhas de energia e sinal, as cargas, a suportabilidade dos equipamentos e a coordenação das MPS.
Na especificação do DPS, devem ser consultados a folha de dados e as instruções do fabricante, além das normas técnicas aplicáveis, incluindo as séries ABNT NBR 5419, ABNT NBR 5410 e ABNT NBR IEC 61643, conforme o produto e a aplicação.
Proteção contra surtos é engenharia, não um produto isolado
O raio pode ser a origem mais conhecida dos surtos, mas não é a única. E o DPS, embora essencial em muitas estratégias de proteção, também não deve ser analisado isoladamente.
A proteção eficaz nasce da compreensão do sistema: de onde o fenômeno pode vir, por quais caminhos pode entrar, quais equipamentos precisam ser protegidos e quais MPS devem ser coordenadas.
É esse olhar de engenharia que permite especificar e posicionar corretamente cada dispositivo, evitando tanto a falsa sensação de segurança quanto aplicações inadequadas.
A Embrastec desenvolve soluções de proteção contra surtos para diferentes aplicações em linhas de energia e sinal e disponibiliza suporte técnico para auxiliar profissionais na correta especificação dos dispositivos.
Conheça o portfólio Embrastec e consulte a sua engenharia para definir a solução adequada à sua aplicação.
Referências técnicas para validação
ABNT NBR 5419:2026 - Proteção contra descargas atmosféricas, com atenção especial às Partes 2 e 4, conforme aplicabilidade ao projeto.
Série ABNT NBR IEC 61643 - Dispositivos de proteção contra surtos de baixa tensão, conforme o tipo de DPS e sua aplicação.
Documentação técnica e folhas de dados vigentes dos produtos Embrastec.
Conteúdos técnicos do Eng. Sergio Roberto Silva dos Santos sobre DPS, Zonas de Proteção contra Raios (ZPR), MPS, aterramento, equipotencialização e proteção de linhas de energia e sinal.





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